quinta-feira, 28 de março de 2013

O VERDADEIRO CABRAL


Universidade Federal de Minas Gerais
EBAP- Centro Pedagógico
Prof. Adair Carvalhais Júnior
Núcleo de História-2013

Leia o texto com atenção, marcando os termos que você não sabe o significado.
Procure no dicionário o significado das palavras marcadas e anote-os no caderno.
Faça uma segunda leitura.
Apenas depois de ler 2 vezes, responda às questões no seu caderno.


O VERDADEIRO CABRAL

                O primeiro torrão de solo tupiniquim avistado pelos portugueses também não foi o Monte Pascoal, no sul da Bahia. O primeiro contato dos europeus com a terra brasilis tampouco ocorreu em 22 de abril de 1500. O primeiro português a chegar ao Brasil foi o navegador Duarte Pacheco Pereira - um gênio da astronomia, navegação e geografia e homem da mais absoluta confiança do rei de Portugal, Pacheco chegou ao Brasil um ano e meio antes de Cabral, entre novembro e dezembro de 1498. O primeiro português a confirmar que existiam terras para lá do Oceano Atlântico desembarcou aqui num ponto localizado nas proximidades da fronteira do Maranhão com o Pará. De lá iniciou uma viagem pela costa norte, indo à ilha do Marajó e à foz do rio Amazonas. Quando regressou a Portugal, o rei ordenou-lhe que a expedição deveria ser mantida em sigilo. O motivo para que a descoberta fosse tratada como segredo de Estado era bastante simples: as terras encontravam-se em área espanhola, de acordo com a divisão estabelecida pelo famoso Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494, quatro anos antes de Duarte Pacheco chegar à Amazônia. As novas pesquisas sobre a verdadeira história do descobrimento sepultam definitivamente a inocente versão ensinada nas escolas de que Cabral chegou ao Brasil por acaso, depois de ter-se desviado da sua rota em direção às Índias. O mais recente trabalho a sustentar que Duarte Pacheco foi o verdadeiro responsável pelo descobrimento foi publicado no ano passado em Portugal. Intitulado “A construção do Brasil”, de autoria do historiador português Jorge Couto, professor da Universidade de Lisboa.
                A base da tese gira em torno de um manuscrito, o Esmeraldo de situ orbis, produzido pelo próprio Duarte Pacheco entre 1505 e 1508 e que ficou desaparecido por quase quatro séculos. Até no título o documento revela seu caráter cifrado: Esmeraldo é um anagrama que associa as iniciais, em latim dos nomes de Manoel (Emmanuel), o rei, e  Duarte (Eduardus), o descobridor. De situ orbis significa “Dos sítios da Terra”. “Esmeraldo de situ orbis”, portanto era “O tratado dos novos lugares da Terra, por Manoel e Duarte”. Era um imenso relato das viagens de Duarte Pacheco Pereira não só ao Brasil, como à costa da África, principal fonte da riqueza comercial de Portugal no século XV. O rei d. Manoel considerou tão valiosas as informações náuticas, geográficas e econômicas do “Esmeraldo” que jamais permitiu que ele fosse tornado público.
                Um dos principais trechos diz o seguinte: “como no terceiro ano de vosso reinado do ano de Nosso Senhor de mil quatrocentos e noventa e oito, donde vossa Alteza mandou descobrir a parte ocidental, passando além a grandeza do mar Oceano, onde é achada e navegada uma tam grande terra firme, com muitas e grandes ilhas adjacentes a ela e é grandemente povoada. Tanto se dilata sua grandeza e corre com muita  longura, que de uma arte nem da outra não foi visto nem sabido o fim e cabo dela. É achado  nela muito e fino brasil com outras muitas cousas de que os navios nestes Reinos vem grandemente povoados.”
                O documento era, de fato, tão precioso que uma cópia foi contrabandeada em 1573 para a Espanha por um espião italiano, Giovanni Gesio, que o rei Filipe II mantinha a seu serviço na embaixada espanhola em Lisboa. (Na segunda metade do século XVI, Lisboa era uma espécie de Washington dos tempos atuais e estava na vanguarda das inovações técnicas da ciência náutica - a  tecnologia de ponta da época. A capital de Portugal vivia infestada de espiões, principalmente espanhóis e italianos, que escarafunchavam todos os cantos para descobrir os segredos que permitiram aos portugueses construir um império que ia do Oriente ao Brasil).
                Sua conclusão: em outubro daquele ano o rei português d. Manoel I viu frustradas as suas ambições de subir também ao trono da Espanha, depois que morreu sua mulher, dona Isabel, filha dos reis católicos Isabel de Castela e Fernando de Aragão. Perdeu assim sentido a política de boa vizinhança que ele vinha desenvolvendo com os espanhóis. D. Manoel I resolveu, então, mandar uma expedição para descobrir terras na “parte ocidental, passando além da grandeza do “mar Oceano”. A parte ocidental era onde ficavam as terras descobertas pelos espanhóis nas Américas, na primeira expedição comandada por Cristovão Colombo em 1492. O mar Oceano era como os portugueses chamavam o Oceano Atlântico. A expedição deveria também determinar, no local, a linha imaginária traçada pelo Tratado de Tordesilhas para funcionar como marco divisório dos domínios portugueses e espanhóis no mundo. Para a missão, d. Manoel I escalou o melhor homem que tinha à disposição: Duarte Pacheco era um exímio navegador, como tinha demonstrado na costa da África, era da sua total confiança e, o mais importante, tinha sido um dos conselheiros técnicos de Portugal nas intrincadas negociações do Tratado de Tordesilhas.
                Após ter recebido as ordens do rei Duarte Pacheco zarpou, em novembro de 1498, do arquipélago de Cabo Verde, na costa da África, em direção à linha do Equador. Continuou navegando para o Sul até que avistou terra na região que hoje é fronteira entre o litoral do Maranhão e do Pará. A partir desse ponto, favorecido pela corrente marítima das Guianas, Duarte Pacheco não teve dificuldades para iniciar uma viagem pelo litoral brasileiro que foi até a Ilha do Marajó e a foz do rio Amazonas.
                Durante o trajeto encontrou populações compostas de homens “pardos quase brancos.” Essas eram justamente as características físicas dos índios aruaques que dominavam a orla marítima do Norte do Brasil: criaram na ilha do Marajó uma sociedade complexa, de escala urbana e alta densidade demográfica, produtora de um artesanato até sofisticado, como a célebre cerâmica marajoara. Isso explicaria a referência de Duarte Pacheco ao Brasil como uma “terra grandemente povoada”.
                Na volta a Portugal os resultados da expedição foram mantidos sob absoluto sigilo. Uma cláusula do Tratado de Tordesilhas obrigava Portugal e Espanha a comunicarem ao outro reino as ilhas e terras descobertas em domínios alheios. Ora, todas as terras descobertas ficavam na área dos espanhóis. O rei d. Manoel I, que não tinha mais como subir ao trono espanhol, calou para não dar munição de graça aos concorrentes: assim, o descobrimento do Brasil ocorreu no contexto de uma intensa rivalidade entre Portugal e Espanha.              Deste modo a viagem de Cabral continua a ser considerada o descobrimento oficial do Brasil apenas por uma questão de tradição e de comodidade.
O silêncio sobre a expedição de Duarte Pacheco foi apenas mais um golpe baixo na feroz competição que portugueses e espanhóis travavam no final do século XV. Na luta pela hegemonia na Península Ibérica e para ver quem primeiro descobriria o caminho das ricas especiarias das Índias, Portugal e Espanha travaram uma guerra suja, cujo estopim foi a descoberta de Colombo, em 1492 de algumas ilhas nas Bahamas e nas Antilhas. Quando Colombo retornou da viagem o rei de Portugal, d. João II, reclamou a propriedade das novas terras, que  seriam lusitanas de acordo com o Tratado de Alcaçóvas, de 1479. Para revogar a exigência de Portugal, os reis espanhóis apelaram para a sua influência no Vaticano. O papa Alexandre VI era um conterrâneo, natural de Valência, que devia favores aos  soberanos espanhóis. No primeiro semestre de 1493, Alexandre VI baixou duas bulas, as Inter Caetera (pronuncia-se intercétera e significa  “entre partes” ), que garantiam aos espanhóis a posse das novas terras. Para não despertar nos portugueses a suspeita de favorecimento o papa pré-datou as bulas papais. A Inter Caetera II, que dava aos espanhóis todas as terras a 100 léguas a oeste e sul da ilha dos Açores e Cabo Verde, foi datada de 4 de maio de 1493 mas na verdade, foi concluída apenas em 28 de junho.
                Quando Alexandre VI baixou as Inter Caetera, o monarca português blefou com a ameaça de uma guerra e conseguiu forçar os espanhóis a sentarem à mesa para rediscutir a divisão estabelecida pelo papa. Nasceu aí o famoso Tratado de Tordesilhas.
                Nas negociações d. João II conseguiu que a demarcação entre os domínios portugueses e espanhóis fosse esticada para uma linha imaginária, que ia do Pólo Norte ao Sul, a 370 léguas a oeste de Cabo Verde. Na versão da Inter Caetera II, a totalidade do território brasileiro ficava em área espanhola. Os domínios portugueses terminariam no meio do Oceano Atlântico, antes até da ilha de Fernando de Noronha. Por Tordesilhas a linha de demarcação avançou até uma parte do Estado do Maranhão, incluindo na área portuguesa a maior parte das terras brasileiras. Era um sinal de que eles já tinham indícios da existência do Brasil.
                Duarte Pacheco foi um dos peritos portugueses nas negociações de Tordesilhas que, segundos os testemunhos da época, deram um banho nos espanhóis. Ele assinou o tratado em 7 de junho de 1494 na “qualidade de contínuo da casa do senhor rei de Portugal.”
                Pela quantidade de homens e naus a expedição de Cabral é mais uma prova de que os portugueses vinham para tomar posse do Brasil e usá-lo como base de apoio da rota para as Índias. Ele partiu do Rio Tejo, em Lisboa com cerca de 1,5 mil homens e 13 embarcações (nove naus, três caravelas e uma naveta de mantimentos). Apenas para comparação, quando chegou às Índias em 1498, Vasco da Gama viajou com apenas três embarcações. Oficialmente a missão de Cabral era estabelecer uma feitoria comercial na cidade de Calecut. Esse era o motivo da presença na expedição de Pedro Vaz de Caminha - o autor da “certidão de nascimento” do Brasil seria um dos escrivães de despesa (uma espécie de contador) do entreposto comercial a ser criado na Índia. Os portugueses acreditavam que o Brasil encontrava-se mais próximo do Sul da África do que realmente está. Após a viagem de Cabral perceberam o erro e só partiram para a ocupação do Brasil 30 anos depois.
                Ao alcançar Porto Seguro, a esquadra tinha 12 embarcações (uma se perdeu no caminho e depois conseguiu retornar  a Portugal). Cabral ficou apenas uma semana rumando para a segunda etapa, mas fracassou na missão de estabelecer a feitora em Calecut. Um ataque de surpresa dos hindus, atiçados por comerciantes muçulmanos, destruiu a feitoria e massacrou vários portugueses, entre eles Caminha. Cabral voltou a Lisboa com apenas seis navios.
                O que teria sido o grande feito da sua vida, o descobrimento do Brasil, só foi divulgado um ano depois que a carta de Caminha chegou a Portugal. Isso demonstra a pouca importância que os portugueses deram à expedição de Cabral - mais um indício de que se tratava, realmente, da segunda viagem ao Novo Mundo. Até recentemente a casa que pertence à família de Cabral, em Santarém, cidade portuguesa onde está o seu túmulo, funcionava como um prostíbulo. Está sendo agora restaurada por causa das comemorações do ano 2000.

Revista ISTO É nº 1469 de 26/1197 (adaptado)

Questões

1. Por que a viagem de Duarte Pacheco foi mantida em sigilo pelo rei português ?
2. Em que região do Brasil chegou Duarte da Costa ?
3. O que foi a bula Inter Caetera ?
4. Cite e explique os indícios de que os portugueses já sabiam da existência do Brasil antes da viagem de Cabral.
5. Qual era a missão de Cabral ?

                

As Grandes Navegações



Universidade Federal de Minas Gerais
EBAP- Centro Pedagógico
Prof. Adair Carvalhais Júnior
Núcleo de História- 2013


Leia o texto com atenção, marcando os termos que você não sabe o significado.
Procure no dicionário o significado das palavras marcadas e anote-os no caderno.
Faça uma segunda leitura.
Apenas depois de ler 2 vezes, responda às questões abaixo, no seu caderno.


As Grandes Navegações

       Durante os séculos XV e XVI os países europeus que realizavam comércio com as Índias, destacando-se Portugal e Espanha, tiveram que encontrar uma nova rota marítima para chegar a essa região. O domínio turco sobre o Mar Mediterrâneo impedia que os comerciantes da Europa utilizassem esse caminho para alcançar o Oriente e, assim, os governos europeus viram-se obrigados a organizar viagens para procurar um outro trajeto.
        Mudar de caminho significava deixar a segurança do já conhecido Mediterrâneo para desafiar o pouco conhecido Oceano Atlântico. O desconhecido, como sempre, causou medo e despertou a imaginação dos homens da época. A crença em lendas de monstros que habitavam o Oceano, de águas ferventes além da linha do horizonte, de seres sobrenaturais que poderiam ser encontrados no Atlântico mostra-nos o pânico dos europeus em relação às águas desconhecidas naquele momento.
        Por outro lado, a necessidade de descobrir uma nova rota comercial e o desejo de enriquecer- se com os tesouros que julgavam existir no Oriente estimulavam esses homens a participarem das expedições que saiam dos portos da Europa sem destino certo. A insegurança era enorme, pois, não se sabia para onde iriam os navios, o que ou quem encontrariam lá ou, até mesmo, se chegariam a algum lugar antes que um naufrágio destruísse as embarcações.
            As tripulações passavam por inúmeras dificuldades, os navios não comportavam quantidade suficiente de alimentos e água potável fazendo com que a fome e sede fossem constantes nas longas viagens. O principal alimento era um tipo de biscoito, especialmente preparado, que, contudo, estragava devido a seu mau armazenamento.
         As condições de higiene eram péssimas, não havia banheiros, o que facilitava a proliferação de ratos e baratas e favorecia o aparecimento de doenças que atingiam, muitas vezes fatalmente, grande parte dos passageiros. A enfermidade mais comum foi o escorbuto, causada pela deficiência de determinadas vitaminas na alimentação.
         Os padres, presentes na tripulação, eram os responsáveis pelo cuidado com os doentes e a sangria era o principal método médico utilizado para tentar curar os enfermos. As mortes diárias eram muitas e os cadáveres ficavam expostos no convés até que fossem lançados ao mar.
        A hierarquia social era mantida a bordo. Dependendo de sua posição social o indivíduo tinha privilégios dentro do navio como, por exemplo, o direito de levar consigo mais alimentos para seu consumo particular. Os Regimentos eram os documentos que estabeleciam as regras a serem seguidas por cada membro da tripulação e o capitão era o responsável pela fiscalização de seu cumprimento.
         O dia a dia das Grandes Navegações foi, sem dúvida, difícil e cheio de desafios, mas os homens da época não desistiram de seus objetivos. Nesta sua "aventura" acabaram "descobrindo" o Continente Americano e seus habitantes, fato que marcou profundamente a história de toda humanidade.    

(Texto adaptado de “O Ponto onde Estamos”, de Paulo Micelli por Juliana Diniz Valério)

Perguntas
1. Que dificuldades passavam as tripulações dos navios ?
2. Qual a função dos padres entre a tripulação ?
3. Você acha que os padres teriam outras funções ? Quais ? Por que ?
4. Que motivos levaram os homens a se aventurar no desconhecido ?
5. O que obrigou os europeus a procurarem uma nova rota para o Oriente ?

quinta-feira, 21 de março de 2013

2013


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Batalha de Stalingrado


A Batalha de Stalingrado foi uma operação militar conduzida pelos alemães e seus aliados contra as forças russas pela posse da cidade de Stalingrado (atual Volgogrado), às margens do rio Volga, na antiga União Soviética, entre 17 de julho de 1942 e 2 de fevereiro de 1943, durante a Segunda Guerra Mundial. A batalha foi o ponto de virada na frente leste da guerra, marcando o limite da expansão alemã no território soviético e é considerada a maior e mais sangrenta batalha de toda a História, causando a morte e ferimentos em cerca de dois milhões de soldados e civis.
Marcada por sua extrema brutalidade e desrespeito às perdas militares e civis de ambos os lados, a ofensiva alemã sobre a cidade de Stalingrado, a batalha dentro da cidade e a contra-ofensiva soviética que cercou e destruiu todo o 6º Exército alemão e outras forças do Eixo, foi a segunda derrota em larga escala da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial e a mais decisiva; a partir daí, a ofensiva passou totalmente para as mãos dos soviéticos até a vitória final contra o Terceiro Reich, em 8 de maio de 1945.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Stalingrado


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjrb9gw10vehOOeyJEjjkeK67BNx8A7beM411U83JLFsEKQUuX6B4NKYhXOK3I7lCeMiAEpvMDbI6TPyFj-MKyL1MVdQqd_uRyPf1QnHMUXlrQfUM7AWo7tPUxFBggVeUcgrAqISH3w18D2/s1600/stalingrado.jpg

terça-feira, 23 de outubro de 2012


I e II Guerra
Pesquisa na biblioteca

1. O que foi a Belle Époque e por que esta expressão só deve ser usada em relação a uma pequena parcela da população européia ?
2. Quais as principais modificações no mapa político europeu após a I Guerra ?
3. Explique os interesses dos países da Tríplice Aliança e da Tríplice Entente na Ásia e na África.
4. O que foi o Nazismo ? E o fascismo ?
5. Sobre o Tratado de Versalles explique
         a. quais suas principais cláusulas;
         b. por que foi considerado o deflagrador da II Guerra ?
6. O que foi a Guerra Fria ? Por que a queda do Muro de Berlim foi o símbolo do fim desta guerra ?

Adair CJr.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Revolução Industrial


Universidade Federal de Minas Gerais
Centro PedagógicoEscola Fundamental- Núcleo de Geografia e História- Disciplina História
Professor Adair Carvalhais Júnior


A Revolução Industrial
Adaptado de História Temática – O Mundo dos Cidadãos. Montellato, Cabrine e Catelli. Ed. Scipione, pg. 30 a 51


         Mais do que a introdução das máquinas no sistema de produção de bens e mercadorias, a Revolução Industrial consistiu numa transformação no modo de trabalhar dos homens, na maneira de se relacionarem uns com os outros, de pensar e agir, bem como utilizar o tempo, observar o meio ambiente e nele interferir. A própria noção de tempo foi modificada.
         O relógio mecânico, criado em fins do século XIII para disciplinar a vida dos monges acabou por extrapolar seu objetivo inicial e passou a controlar o ritmo de todas as atividades da vida urbana.
         Assim, por volta do século XVI a noção de tempo relacionava-se com o tempo útil, o tempo do trabalho. Desta forma, a noção do mercador do tempo como dinheiro foi se disseminando por todas as esferas da sociedade.
         A revolução industrial também se relacionou com o desejo dos patrões em disciplinar os operários e em submetê-los a novos sistemas de trabalho.
        
O nascimento das fábricas

         Durante a Idade Média européia a produção era realizada em um sistema familiar e destinava-se a atender às necessidades da família do camponês.
         O crescimento urbano e o êxodo rural aumentaram o contingente de artesãos e estes procuraram se organizar nas chamadas corporações de ofício.
         As corporações eram organizações que possuíam regulamentos próprios quanto à hierarquia, formação e treinamento de profissionais, às horas de trabalho, salários, preços dos produtos. Além disto protegiam os artesãos contra a concorrência estrangeira (de outras cidades ou países).
         Por volta do século XVI os comerciantes começaram a fornecer a matéria-prima aos trabalhadores fora da jurisdição das corporações e a controlar a comercialização da produção, num sistema que ficou conhecido como putting-out na Inglaterra.
         Neste sistema os trabalhadores produziam em suas casas, eram donos das ferramentas, controlavam as técnicas e o processo de trabalho. Mas surgiam conflitos entre eles e os comerciantes pois nem sempre a matéria-prima era de boa qualidade, havia desvio da produção e o preço combinado não era pago, além do atraso na entrega das mercadorias.
         Por isto as fábricas nasceram da necessidade dos comerciantes controlarem melhor os trabalhadores, impor-lhes um ritmo de trabalho próprio e retirar-lhes a iniciativa e a criatividade.
         Nelas os trabalhadores eram reunidos em galpões, vigiados e controlados por meio de uma rígida disciplina, de horários de entrada e saída, prazos para cumprimento das tarefas, maior divisão das etapas do trabalho e uma hierarquia severa. Nelas as jornadas de trabalho atingiam até 16 horas por dia, sem feriados ou férias e a utilização da mão-de-obra infantil era comum.

Trabalho e tecnologia

         A invenção de máquinas para fazer o trabalho do homem era uma história antiga. Mas a associação da máquina à força do vapor provocou mudanças inéditas.
         A produção em grande escala, a divisão do trabalho e a utilização da energia não humana provocou um enorme aumento na produção.
         Sob o ponto de vista dos trabalhadores, a Revolução Industrial foi uma catástrofe. A exploração econômica e a opressão política fizeram aumentar e as relações entre patrões e empregados tornaram-se mais duras e menos pessoais. Nasceu a classe operária, tão importante para a civilização ocidental particularmente a partir do século XIX.
         Mas os conflitos entre patrões e empregados não giravam, no início, em torno de questões econômicas mas de valores: tradição, justiça, solidariedade, independência, segurança e economia familiar eram freqüentemente invocados pelos trabalhadores que viam seu modo de vida ser transformado drasticamente (ver texto “Relato feito por um oficial fiandeiro de algodão ao público da cidade inglesa de Manchester”, em 1818).
         E não poucas vezes estes conflitos tornaram-se violentos (ver texto “Os quebradores de máquinas”).

Taylorismo e fordismo

         Frederick Winsllow Taylor criou o taylorismo, conjunto de regras criadas a partir da observação do trabalho nas fábricas que visava racionalizar e controlar ao máximo o tempo do trabalhador, elevar sua produtividade, eliminar o desperdício e reduzir os custos de produção.
         No taylorismo a divisão do trabalho foi aprofundada, sendo cada operário responsável por uma única e repetitiva tarefa. Além disto o trabalhador que realizasse determinada tarefa num tempo menor que a média de todos os companheiros era premiado.
         Henry Ford desenvolveu os princípios de Taylor e os aplicou nas suas fábricas, criando a linha de montagem, na qual os veículos eram colocados numa esteira rolante e cada trabalhador realizava uma única e simples etapa da produção: quanto mais simples menos sujeita a erros, maior velocidade, mais produtividade e mais lucros.

+ Charles Dickens (1812/1870), escritor inglês, retratou muito bem as condições de trabalho subumanas da classe trabalhadora no século XIX no livro Oliver Twist.
+ Charlie Chaplin, cineasta americano, mostrou no seu filme Tempos Modernos a vida repetitiva e monótona dos trabalhadores na indústria.


Após a leitura, responda:
1. Explique as transformações no modo de se produzirem as mercadorias desde a Idade Média até o nascimento das fábricas.
2. Identifique e diferencie taylorismo e fordismo e explique sua importância para o desenvolvimento industrial.
3. Explique as mudanças provocadas no modo de vida dos trabalhadores pela Revolução Industrial.
4. Explique as conseqüências da introdução de máquinas a vapor, do controle e da divisão do trabalho sobre a produção e a produtividade.




Revolução Industrial II

         O artesanato foi a forma de produção industrial característica da Baixa Idade Média, durante o renascimento urbano e comercial, sendo representado por uma produção de caráter familiar, na qual o produtor (artesão) possuía os meios de produção (era o proprietário da oficina e das ferramentas) e trabalhava com a família em sua própria casa, realizando todas as etapas da produção, desde o preparo da matéria-prima, até o acabamento final e comercialização do produto final; ou seja não havia divisão do trabalho ou especialização para a confecção de algum produto. Em algumas situações o artesão tinha junto a si um ajudante, porém não assalariado, pois realizava o mesmo trabalho pagando uma “taxa” pela utilização das ferramentas.
         Depois da Revolução Industrial, os trabalhadores não eram mais os “donos” do processo. Eles passaram a trabalhar para um patrão como operários ou empregados. A matéria-prima e o produto final não lhes pertenciam mais. Esses trabalhadores passaram a controlar máquinas que pertenciam ao empresário, dono dos meios de produção e para o qual se destinava o lucro.
         Outra característica desse período foi a interferência do empresário no processo produtivo, passando a comprar a matéria-prima e a determinar o ritmo de produção.
         Foi a Inglaterra que saiu na frente no processo de Revolução Industrial do século XVIII. Este fato pode ser explicado por diversos fatores:
         A Inglaterra firmou vários acordos comerciais vantajosos com outros países. Um desses acordos foi o Tratado de Methuen, celebrado com Portugal, em 1703, por meio do qual conseguiu taxas preferenciais para os seus produtos no mercado português.
         A Inglaterra também possuía grandes reservas de carvão mineral em seu subsolo, a principal fonte de energia para movimentar as máquinas e as locomotivas a vapor e grandes reservas de minério de ferro, a principal matéria-prima utilizada neste período.
         Por fim, a mão-de-obra disponível em abundância também favoreceu a Inglaterra, pois havia uma massa de trabalhadores procurando emprego nas cidades inglesas do século XVIII.
         A Revolução Industrial alterou completamente a maneira de viver das populações dos países que se industrializaram. As cidades atraíram os camponeses e artesãos, e se tornaram cada vez maiores e mais importantes.
         Na Inglaterra, por volta de 1850, pela primeira vez em um grande país, havia mais pessoas vivendo em cidades do que no campo. Nas cidades, as pessoas mais pobres se aglomeravam em subúrbios de casas velhas e desconfortáveis, se comparadas com as habitações dos países industrializados hoje em dia. Conviviam com a falta de água encanada, com os ratos, o esgoto formando riachos nas ruas esburacadas.

Responda
1. Por que o trabalho do operário era diferente do trabalho do artesão?
2. Que vantagens a Inglaterra teve sobre os outros países no desenvolvimento da sua indústria ?
3. Como funcionava a produção artesanal de mercadorias ?
4. E a produção industrial ?

acjset 2012


Revolução francesa



UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
Centro PedagógicoEscola Fundamental
Núcleo de Geografia e História-Prof. Adair Carvalhais Júnior


A Revolução Francesa

                  
         Tendo acontecido no final do século XVIII, a Revolução Francesa foi, junto com a Revolução Industrial inglesa, o grande marco da história contemporânea.
         Esta afirmação pode ser explicada tanto se tomarmos a história da França quanto se olharmos para o mundo dos séculos XVIII, XIX, XX e XXI, sobre os quais a Revolução estendeu suas influências.
         Na França a Revolução significou, em primeiro lugar, o fim da estrutura social e econômica feudal que ainda vigorava na maior parte da área rural e atingia a maioria da população.
         Ao mesmo tempo, significou o início do processo de destruição do Estado absolutista e, por consequência, do domínio político da nobreza.
         Na realidade, este domínio político já vinha sendo questionado pela burguesia em ascensão sócio-econômica há um bom tempo. Os anos que se seguiram à Revolução foram, exatamente, aqueles onde esta classe ascendente buscou afastar do poder a nobreza decadente, por um lado e, por outro, as classes populares.
         A vitória política da burguesia, associada ao fim do feudalismo, abriu as possibilidades para a industrialização francesa e, daí, para o desenvolvimento do capitalismo com todas suas novas relações econômicas e sociais.
         A Revolução Francesa foi também muito importante pelo que significou para o mundo nos séculos seguintes, tanto na Europa quanto nas Américas.
         Em primeiro lugar, projetou fortemente a possibilidade de tomada de poder pelas classes populares que, durante a Revolução, foi concreta e muito próxima.
         Nas décadas seguintes quase todos os movimentos que pretendiam estabelecer rupturas políticas significativas e com orientação popular usaram desde as idéias revolucionárias até os métodos estabelecidos pelo povo francês. É importante lembrar que idéias claramente socialistas surgiram e tiveram grande significado durante a Revolução.
         A Revolução também estabeleceu marcos fundamentais no que hoje chamamos de Direitos da Cidadania - basta lembrar a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão e a importância que os direitos políticos e sociais têm no mundo de hoje.
         Ainda no campo político, os revolucionários franceses forjaram a primeira experiência moderna de uma forma republicana de governo, com a divisão de poderes, o voto e o mandato como expressão da representação dos cidadãos.
         É importante ressaltar que quase todos os instrumentos políticos das repúblicas contemporâneas foram criados pelos revolucionários franceses durante ou logo após a Revolução.
         As disputas políticas, a violência, a guerra interna conjugada com o combate aos invasores, a complexidade das contradições sociais e a resistência às mudanças por parte da nobreza fez com que a Revolução Francesa de 1789 figurasse como um dos eventos mais importantes da História.

---

1. Explique o que caracteriza a forma republicana de governo ?
2. O que significou, para a França, a Revolução ?
3. E para o resto do mundo ?

acj/set2012